Islão
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Na visão muçulmana, o Islão surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta dentre inúmeros outros, para diversos povos, sendo o último deles Maomé.[1]
A mensagem do Islão caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação, basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia voltado para Meca, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadão, pagar dádivas rituais e efectuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.
O Islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles polítiticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espintual e temporal é, em teoria, alheia ao Islão.
O Islão ensina seis crenças principais:
a crença em
Alá (
Allah), único
Deus existente;
a crença nos
anjos, seres criados por Alá;
a crença em vários
profetas enviados à humanidade, dos quais Maomé é o último;
a crença no dia do Julgamento Final, no qual as acções de cada pessoa serão avaliadas;
a crença na predestinação: Alá tudo sabe e possui o poder de decidir sobre o que acontece a cada pessoa.
Deus
A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no
monoteísmo. Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do
Alcorão (com a exceção de um) começa com a frase "
Em nome de Deus, o beneficente, o misericordioso". Uma das passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo (
sura) 59:
"Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso!
Ele é Deus e não há outro deus senão Ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam!
Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).
Os anjos
Os
anjos são, segundo o Islão, seres criados por Alá a partir da luz. Não possuem
livre arbítrio, dedicando-se apenas a obedecer a Deus e a louvar o seu nome. Maomé nada disse sobre o sexo dos anjos, mas rejeitou a crença dos habitantes de
Meca, de acordo com a qual eles seriam os filhos de Deus.
[7] Desempenham vários papéis, entre os quais o anúncio da revelação divina aos profetas; protegem os seres humanos e registram todas as suas acções. O anjo mais famoso é
Gabriel, que foi o intermediário entre Deus e o profeta.
Para além dos anjos, o islamismo reconhece a existência dos
jinnis, espíritos que habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos. Ao contrário dos anjos, os
jinnis possuem vontade própria; alguns são bons, mas de uma forma geral são maus. Um desses espíritos maus é
Iblis (
Satanás), também ele um
jinn, segundo a crença islâmica, que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.
Os livros sagrados
Os muçulmanos acreditam que Deus usou profetas para revelar escrituras aos homens. A revelação dada a
Moisés foi a Taura (
Torá), a
Davi foram dados os
Salmos e a
Jesus o
Evangelho. Deus foi revelando a sua mensagem em escrituras cada vez mais abrangentes que culminaram com o
Alcorão, o derradeiro livro revelado a
Muhammad.
Os profetas
O islamismo ensina que Deus revelou a sua vontade à humanidade através de
profetas. Existem dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos homens a vontade divina (
anbiya; singular
nabi) e os que para além dessa função lhes foi entregue uma escritura revelada (
rusul; singular
rasul, "mensageiro")
Cada profeta foi encarregado de relembrar a uma comunidade a existência ou a unicidade de Deus, esquecida pelos homens. Para os muçulmanos, a lista dos profetas inclui
Adão,
Abraão (
Ibrahim),
Moisés (
Musa),
Jesus (
Isa) e Maomé (
Muhammad), todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Maomé é visto como o
Último Mensageiro, trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade sob a forma do Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo dos Profetas". Quando Maomé começou a revelar o
Alcorão, ele não acreditou que isso teria proporções mundiais, mas sim que somente reforçaria a fé no Deus.
Esses profetas eram humanos mortais comuns, o Islão exige que o crente aceite todos os profetas, não fazendo distinção entre eles. No Alcorão, é feita menção a vinte e cinco profetas específicos.
Os muçulmanos acreditam que Maomé foi um homem leal, como todos os profetas, e que os profetas são incapazes de acções erradas (ou mesmo testemunhar acções erradas sem falar contra elas), por vontade de Alá.
O dia do Julgamento Final
Segundo as crenças islâmicas, o dia do
Julgamento Final (
Yaum al-Qiyamah) é o momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus pelas acções que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados directamente para o
Paraíso, enquanto que os pecadores devem permanecer algum tempo no
Inferno, antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos, mas de facto nunca o foram.
Segundo a mesma crença, a chegada do Julgamento Final será antecedida por vários sinais, como o nascimento do Sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda.
Os cinco pilares do Islão
A peregrinação (
Hajj) a
Meca é um dos "cinco pilares do Islão".
Os cinco pilares do Islão são cinco deveres básicos de cada muçulmano:
[8]
a recitação e aceitação da crença (
Chahada ou
Shahada);
orar cinco vezes ao longo do dia (
Salá,
Salat ou
Salah);
fazer a peregrinação a
Meca (
Haj) se tiver condições físicas e financeiras.
Os muçulmanos
xiitas consideram ainda três práticas como essenciais à religião islâmica: além da
jihad, que também é importante para os
sunitas, há o
Amr-Bil-Ma'rūf, "exortar o bem", que convoca todos os muçulmanos a viver uma vida virtuosa e encorajar os outros a fazer o mesmo; e o
Nahi-Anil-Munkar, "proibir o mal", que orienta os muçulmanos a se abster do
vício e das más ações, e também encorajar os outros a fazer o mesmo.
[9]
O Alcorão

Os ensinamentos de
Alá (
Allah, a palavra
árabe para
Deus) estão contidos no
Alcorão (
Qur'an, "recitação"). Os muçulmanos acreditam que Maomé recebeu esses ensinamentos de Alá por intermédio do
anjo Gabriel (
Jibreel), através de revelações que ocorreram entre
610 e
632 d.C.. Maomé recitou essas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição (
omoplatas de camelo, folhas de palmeira, pedras…).
As revelações a Maomé foram mais tarde reunidas em forma de livro. Considera-se que a estruturação do Alcorão como livro ocorreu entre
650 e
656, durante o califado de
Otman.
O livro sagrado do Islã, o Alcorão.
O Alcorão está estruturado em 114 capítulos chamados
suras. Cada sura está por sua vez subdividida em versículos chamados
ayat. Os capítulos possuem tamanho desigual (o menor possui apenas três versículos e os mais longos 286 versículos) e a sua disposição não reflete a ordem da revelação. Considera-se que 92 capítulos foram revelados em
Meca e 22 em
Medina. As suras são identificadas por um nome, que é em geral uma palavra distintiva surgida no começo do capítulo ("A Vaca", "A Abelha", "O Figo").
Uma vez que os muçulmanos acreditam que Maomé foi o último de uma longa linha de profetas, eles tomam a sua mensagem como um depósito sagrado e tomam muito cuidado com ela, assegurando que a mensagem tenha sido recolhida e transmitida de uma maneira a não trair esse legado. Essa é a principal razão pela qual as traduções do Alcorão para as línguas vernáculas são desencorajadas, preferindo-se ler e recitar o Alcorão em árabe. Muitos muçulmanos memorizam uma porção do Alcorão na sua língua original e aqueles que memorizaram o Alcorão por inteiro são conhecidos como hafiz (literalmente "guardião").
A mensagem principal do Alcorão é a da existência de um único Deus, que deve ser adorado. Contém também exortações éticas e morais, histórias relacionadas com os profetas anteriores a Muhammad (que foram rejeitados pelos povos aos quais foram enviados), avisos sobre a chegada do dia do
Juízo Final, bem como regras relacionadas com aspectos da vida diária, como o casamento e o divórcio.
Além do Alcorão, as crenças e práticas do Islão baseiam-se na literatura
hadith, que para os muçulmanos clarifica e explica os ensinamentos do profeta.
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